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ILSE AICHINGER, traducida del alemán por Anna Rossell


Ilse Aichinger nació en 1921 en Viena, donde murió en 2016.


ENTRADA AL LUGAR

No me fío de la paz,
de los vecinos, de los setos de rosas,
de la palabra susurrada.
He oído decir
que acercan los cuerpos a las sogas,
que vuelcan los bancos cuando llega el invierno,
sus gritos de júbilo pertrechados
para el sueño se alzaron
por escuelas e iglesias
y se extinguieron.
¿Quién espera aún a los pájaros
que se quedan,
el humo sobre el prado?


ORTSANFANG



Ich traue dem Frieden nicht,
den Nachbarn, den Rosenhecken,
dem geflüsterten Wort.
Ich hörte,
daß sie die Häute an die Schlinge legen,
daß sie die Bänke kippen vor dem Winter,
ihre Jauchzer flogen
zum Schlaf gerüstet
durch Schul- und Kirchenhäuser
auf und fort.
Wer erwartet noch die Vögel,
die bleiben,
den Rauch übers kurze Gras?







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EUGÉNIO DE ANDRADE, traducido del portugués por Alfredo Pérez Alencart

Eugénio de Andrade nació en Fundâo (Castelo Branco, Portugal) en 1923 y murió en Oporto en 2005.


ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, 
e o que nos ficou não chega 
para afastar o frio de quatro paredes. 
Gastámos tudo menos o silêncio. 
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, 
gastámos as mãos à força de as apertarmos, 
gastámos o relógio e as pedras das esquinas 
em esperas inúteis. 

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. 
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; 
era como se todas as coisas fossem minhas: 
quanto mais te dava mais tinha para te dar. 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. 
E eu acreditava. 
Acreditava, 
porque ao teu lado 
todas as coisas eram possíveis. 

Mas isso era no tempo dos segredos, 
era no tempo em que o teu corpo era um aquário, 
era no tempo em que os meus olhos 
eram realmente peixes verdes. 
Hoje são apenas os meus olhos. 
É pouco, mas é verdade, 
uns olhos como todos os outros. 

Já gastámos as palavras. 
Qua…

NATÉRCIA FREIRE, traducida del portugués por Alfredo Pérez Alencart

Natércia Freire nació en Benavente (Portugal) en 1919 y murió en Lisboa en 2004.



COR
É preciso soltar o ritmo que me prende. Esta amarra de ferro à palavra e ao som. Emudecer, no espaço, o arco e a corrente E ser nesta varanda um pouco só de cor.
Não saber se uma flor é mesmo uma criança. Se um muro de jardim é proa de navio. Se o monumento fala, se o monumento dança. Se esta menina cega é uma estátua de frio.
Um pássaro que voa pode ser um perfume. Uma vela no rio, um lenço no meu rosto. Na tarde de Fevereiro estar um dia de Outubro. Nos meus olhos de morta uma noite de Agosto.
É preciso soltar o ritmo das marés, Das estações, do Amor, dos signos e das águas, Os duendes das plantas, os génios dos rochedos Nos cabelos do Vento, as tranças de arvoredos.
Desordenai-me, luz!  Que nada mais dependa Das águas, das

ANNE SEXTON, traducida del inglés por Jonio González

Anne Sexton nació en Newton, Massachusetts (Estados Unidos) en 1928 y murió en Weston, Massachusetts, en 1974.

SNOW
Snow,
blessed snow,
comes out of the sky
like bleached flies.
The ground is no longer naked.
The ground has on its clothes.
The trees poke out of sheets
and each branch wears the sock of God.
There is hope.
There is hope everywhere.
I bite it.
Someone once said:
Don’t bite till you know
if it’s bread or stone.
What I bite is all bread,
rising, yeasty as a cloud.
There is hope.
There is hope everywhere.
Today God gives milk
and I have the pail
.

NIEVE
Nieve,
bendita nieve,
surge del cielo
como moscas emblanquecidas.
El suelo ya no está desnudo.
El suelo lleva puestas sus ropas.
Los árboles se despojan de hojas
y cada rama se pone el calcetín de Dios.
Hay esperanza.
Hay esperanza en todas partes.
Le doy un mordisco.
Alguien dijo una vez:
No muerdas hasta que no sepas
si es pan o piedra.
Lo que muerdo es todo pan,
fermentando, con el mismo sabor a levadura
que una nube.
Hay esperanza.
Hay esperanza en todas partes.