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EUGÉNIO DE ANDRADE, traducido del portugués por Alfredo Pérez Alencart

Eugénio de Andrade nació en Fundâo (Castelo Branco, Portugal) en 1923 y murió en Oporto en 2005. ADEUS Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,  e o que nos ficou não chega  para afastar o frio de quatro paredes.  Gastámos tudo menos o silêncio.  Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,  gastámos as mãos à força de as apertarmos,  gastámos o relógio e as pedras das esquinas  em esperas inúteis.  Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.  Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;  era como se todas as coisas fossem minhas:  quanto mais te dava mais tinha para te dar.  Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.  E eu acreditava.  Acreditava,  porque ao teu lado  todas as coisas eram possíveis.  Mas isso era no tempo dos segredos,  era no tempo em que o teu corpo era um aquário,  era no tempo em que os meus olhos  eram realmente peixe...