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RICARDA HUCH, traducida del alemán por Anna Rossell

Ricarda Huch nació en 1864 en Brunswick (Alemania) y murió en 1947 en Kronberg im Taunus.



EINSAMKEIT



SOLEDAD


Te inclinas, alma mía, como el abedul se inclina,
A la aledaña flora.
Yérguete firme, como el abeto el torso empina,
Porque estás sola.

Bien es verdad que todo ser insufla a cada quien
De su alma el soplo;
Su anhelo empero vano será también,
Porque están solos.

Aunque abrazados durmáis sobre una almohada, despertáis
Alejados en la alcoba cual luceros
Tan pronto, quizá de noche, a soñar volváis
El mismo sueño.

Dichoso tu mundo, tu estrella, si tu ascua
Moldea  la esplendorosa materia de la vida,
Y nada exijas —es exigencia fatua—;
Tu solo patrimonio es tu energía.





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EUGÉNIO DE ANDRADE, traducido del portugués por Alfredo Pérez Alencart

Eugénio de Andrade nació en Fundâo (Castelo Branco, Portugal) en 1923 y murió en Oporto en 2005.


ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, 
e o que nos ficou não chega 
para afastar o frio de quatro paredes. 
Gastámos tudo menos o silêncio. 
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, 
gastámos as mãos à força de as apertarmos, 
gastámos o relógio e as pedras das esquinas 
em esperas inúteis. 

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. 
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; 
era como se todas as coisas fossem minhas: 
quanto mais te dava mais tinha para te dar. 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. 
E eu acreditava. 
Acreditava, 
porque ao teu lado 
todas as coisas eram possíveis. 

Mas isso era no tempo dos segredos, 
era no tempo em que o teu corpo era um aquário, 
era no tempo em que os meus olhos 
eram realmente peixes verdes. 
Hoje são apenas os meus olhos. 
É pouco, mas é verdade, 
uns olhos como todos os outros. 

Já gastámos as palavras. 
Qua…

NATÉRCIA FREIRE, traducida del portugués por Alfredo Pérez Alencart

Natércia Freire nació en Benavente (Portugal) en 1919 y murió en Lisboa en 2004.



COR
É preciso soltar o ritmo que me prende. Esta amarra de ferro à palavra e ao som. Emudecer, no espaço, o arco e a corrente E ser nesta varanda um pouco só de cor.
Não saber se uma flor é mesmo uma criança. Se um muro de jardim é proa de navio. Se o monumento fala, se o monumento dança. Se esta menina cega é uma estátua de frio.
Um pássaro que voa pode ser um perfume. Uma vela no rio, um lenço no meu rosto. Na tarde de Fevereiro estar um dia de Outubro. Nos meus olhos de morta uma noite de Agosto.
É preciso soltar o ritmo das marés, Das estações, do Amor, dos signos e das águas, Os duendes das plantas, os génios dos rochedos Nos cabelos do Vento, as tranças de arvoredos.
Desordenai-me, luz!  Que nada mais dependa Das águas, das

ALBANO MARTINS, traducido del portugués por Alfredo Pérez Alencart

Albano Martins nació en Fundâo (Portugal) en 1930 y murió en Vilanova de Gaia en 2018.

UMA CIDADE

Uma cidade pode ser apenas um rio, uma torre, uma ruacom  varandas de sal e gerânios de espuma. Pode ser um cacho de uvas numa garrafa, uma bandeira azul e branca, un cavalo de crinas de algodão, esporas de água e flancos de granito.                     Uma cidade pode ser o nome dum país, dum cais, um porto, um barco de andorinhas e gaivotas ancoradas na areia. E pode ser um arco-íris à janela, um manjerico de sol, un beijo de magnólias ao crepúsculo, um balão aceso numa noite de junho.
Uma cidade pode ser um coração, um punho.


UNA CIUDAD

Una ciudad puede ser
solo un río, una torre, una calle
con balcones de sal y geranios
de espuma. Puede
ser un racimo
de uvas en una botella, una bandera
azul y blanca, un caballo
de crines de algodón, esporas
de agua y lados 
de granito.
                    Una ciudad
puede ser el nombre
de un país, de un muelle, un puerto, un barco